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A Oficina Social de Teatro encerra as comemorações de seus 15 anos com a peça inédita ‘Zona Norte’, no palco Teatro Eduardo Kraichete

42fa 6 Zona NorteDois mil e quinze é um ano importante para a Oficina Social de Teatro (OST), pois a companhia comemora seus 15 anos de existência. Ao lembrarem da data, ainda no fim do ano passado, quando os sócios descobriram que finalizariam cinco turmas ao mesmo tempo, decidiram celebrar tudo junto, com a criação da mostra de teatro Verão no Palco. O projeto consiste em apresentações de espetáculos inéditos das cinco turmas da escola no Teatro Eduardo Kraichete. A última peça a subir ao palco em Icaraí, dia 26, às 19h30, é Zona Norte.

“O processo de criação da mostra foi natural. Para a equipe de produção seria mais interessante trabalhar o conjunto no atendimento às demandas. Para o setor artístico e pedagógico, o diálogo com todos os elencos e o retorno das criações dos diretores geraram um verdadeiro trabalho de fábrica com muita gente envolvida. A ocasião do verão foi uma coincidência genial, que favoreceu pra caramba. Não posso deixar de argumentar que o principal fator da mostra foi abrir com chave de ouro a comemoração dos 15 anos da OST”, comenta o sócio da companhia, José Geraldo Demezio.

Zona Norte, com texto e direção de Amaury Lorenzo, conta a história de uma família brasileira a partir do desejo, do incesto, do assassinato, do amor e da hipocrisia. O espetáculo é uma adaptação da peça Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, escrita em 1945. Uma tragédia incestuosa de proporções bíblicas. Na época, a censura do governo Dutra proibiu a peça em todo o País sob a alegação de que “preconizava o incesto” e “incitava ao crime”. A peça rotulou Nelson, definitivamente, como o “autor maldito”.

“Já há algum tempo, temos buscado inspirações em obras de grandes dramaturgos para, através delas, criarmos textos que sejam acessíveis às etapas vivenciadas pelos alunos durante o curso. É uma escolha pedagógica e artística. Acreditamos que, dessa forma, estaremos possibilitando ao aluno vivenciar os conteúdos propostos pelos dramaturgos ao mesmo tempo em que trazemos a temática para a realidade que vivemos”, argumenta José Geraldo, que aproveita para comentar a escolha da peça. “No caso do Zona Norte, trata-se de um texto inspirado na obra de Nelson Rodrigues para um grupo de alunos que está terminando o curso, ou seja, uma galera que já está preparada para encarar os primeiros desafios da profissão. Não tínhamos como oferecer algo diferente. A atmosfera de Nelson remete ao desafio, à falta de pudor, à energia vibrante; elementos essenciais àqueles que saltam do amadorismo para o profissionalismo”, resume.

A cultura em crescimento na cidade, e divulgada de maneira eficiente, para José Geraldo gera formação de qualidade e, consequentemente, profissionais que passam a escoar seus trabalhos no mercado.

“É muito bom poder estar viabilizando hoje, junto com uma equipe extremamente competente, um trabalho que começou a ser gerado há 15 anos. E tudo isso sem ter que sair de Niterói. Já não há mais aquela ideia de ter que atravessar a Ponte para começar a dar os primeiros passos, a vislumbrar nomes importantes da cena teatral, aprender técnicas, apurar conceitos. Tudo isso, e muito mais, nós fazemos aqui. Lembrando, também, daqueles que buscam o teatro como complementação profissional e pessoal. Para esses, a cultura teatral surge como um elemento capaz de ampliar os horizontes, permitir uma comunicação plena. É essa fomentação contínua de arte e cultura através do nosso curso que faz esses indivíduos voltarem pra sociedade mais plenos. Niterói agradece”, pontua.

Apesar dos obstáculos que ainda fazem parte do universo das artes cênicas em todo o País, José Geraldo reafirma que o enfrentamento é essencial, pois é dessa forma que será possível buscar as soluções.

“Uma mensagem de que é possível fazer acontecer com muita garra e dedicação. Os espetáculos funcionam como uma grande resposta, uma catarse. É quando professores, alunos, produtores, cenógrafos, figurinistas, contrarregras, sonoplastas, diretores; todos, sem exceção, veem seus projetos tomarem corpo e ficam felizes por oferecê-los com gratidão a quem queira assisti-los”, aprecia José Geraldo. (Colaborou Suzana Moura)

O Fluminense

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