Teatro em Linhas

Resenha crítica: O Filho Eterno

Monólogo atordoante faz a plateia pulsar numa profusão de emoções

 “Simplesmente sensacional!” Foi um dos comentários que ouvi depois da peça O Filho Eterno baseada no livro homônimo de Cristovão Tezza. Na verdade fica até difícil expor em argumentos a intensidade do que é visto. Temos um futuro pai compartilhando frustrações e sonhos de sua vida com a iminente chegada de um filho. Porém, o acaso adentra sua vida de modo abrupto ao saber que seu filho será um portador da Síndrome de Down.

Charles Fricks, soberbo no papel, nos dá uma atuação marcante com anseios e dúvidas da futura condição patriarcal. Mais do que uma atuação inebriante, o ator que só dispõe de uma cadeira e suas roupas, movimenta-se pelo palco de um modo tão envolvente que mergulhamos junto do protagonista num abismo de desilusões, perdas; e emergimos nas conquistas e admirações, até o final comovente.

Poucas luzes, alguns sons e momentos exatos de silêncio. Tudo ocupa o palco para entreter a plateia neste monólogo desafiador, maravilhoso e, porque não, verossímil. Não há como discordar: o que é visto remete aos medos e felicidades da condição “pai”. Ah. Já ia me esquecendo. Ao sair do teatro fui à livraria e garanti o meu livro. Acredite, quem quiser ter uma perspectiva sincera do que é ser pai deve assistir e ler O Filho Eterno de Cristovão Tezza.

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