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Resenha crítica: Deus da Carnificina

Comédia com tons dramáticos fascina pela simplicidade

Dois casais marcam um encontro porque o filho de um deles bateu no filho do outro. Este é o mote do belíssimo texto de Yasmina Reza, uma brilhante escritora expoente no teatro contemporâneo. A conversa a respeito da briga dos meninos revela como o contrato social e as concordâncias não-verbais que fazemos em prol da civilidade podem ser rompidos.

O elenco como um todo é excepcional. O encontro aparenta ser casual, acaso mesmo, porém, as belas interpretações de Debora Evelyn, Júlia Lemmertz, Paulo Betti e Orâ Figueiredo exaltam como o simples pode tornar-se complexo.

Partindo de um mote banal, mas bem explorado Deus da Carnificina apresenta as mascarás sociais explicitadas e quebradas de tal forma que vale muito mais que o ingresso; talvez até uma reflexão sobre as atitudes do dia a dia. Esta peça é um exemplo claro de como o teatro faz diferença nas nossas vidas.

Se tudo que foi escrito não te fizer correr para comprar o ingresso, quem sabe um dia seu filho não se meta em confusão e você tenha que ser simpático com os pais do amiguinho agredido. Logo você entenderá do que se trata.

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Resenha crítica: O Grande Amor da Minha Vida

Comédia romântica no padrão do cinema brasileiro

Maria Helena e Luis Eduardo se conhecem de um modo curioso: Numa linha cruzada. Após marcarem o primeiro encontro inicia-se uma despretensiosa relação que resulta no grande amor da vida deles. A história é somente esta. Porém, como realizar uma peça de teatro com apenas este mote? É um caso a parte nas mãos de um dos melhores diretores do cinema brasileiro: Guel Arraes.

Conhecido por grandes filmes como o Auto da Compadecida e o recente O Bem Amado, Guel Arraes escreve o roteiro junto a João Falcão e Karina Falcão de um jeito que parece se encaixar aos papéis de Thiago Martins e Paloma Bernardi. Os dois são apresentados ao público como Narradores-Personagens e descrevem no formato de um manual o que seria o destino (ou coincidências) que uniram os protagonistas Maria Helena e Luis Eduardo. Em seguida, os mesmos narradores interpretam as situações, as quais advêm para complementar o que fora dito.

Há de se ressaltar que os roteiristas e o diretor Michel Bercovitch trouxeram para o teatro a forma de comédia romântica vista nos cinemas brasileiros composta de relações improváveis e brincadeiras com a rotina de uma relação. Aliás, O Grande Amor da Minha Vida pôde ser visto em Niterói há pouco tempo com outros protagonistas: Giovanna Ewbank e Joaquim Lopes; o que não deve ter causado muitas mudanças aos que assistiram devido à facilidade de adaptação do roteiro. Por fim, definitivamente esta é uma peça que entretêm e uma boa pedida para o dia dos namorados.

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Resenha crítica: O Filho Eterno

Monólogo atordoante faz a plateia pulsar numa profusão de emoções

 “Simplesmente sensacional!” Foi um dos comentários que ouvi depois da peça O Filho Eterno baseada no livro homônimo de Cristovão Tezza. Na verdade fica até difícil expor em argumentos a intensidade do que é visto. Temos um futuro pai compartilhando frustrações e sonhos de sua vida com a iminente chegada de um filho. Porém, o acaso adentra sua vida de modo abrupto ao saber que seu filho será um portador da Síndrome de Down.

Charles Fricks, soberbo no papel, nos dá uma atuação marcante com anseios e dúvidas da futura condição patriarcal. Mais do que uma atuação inebriante, o ator que só dispõe de uma cadeira e suas roupas, movimenta-se pelo palco de um modo tão envolvente que mergulhamos junto do protagonista num abismo de desilusões, perdas; e emergimos nas conquistas e admirações, até o final comovente.

Poucas luzes, alguns sons e momentos exatos de silêncio. Tudo ocupa o palco para entreter a plateia neste monólogo desafiador, maravilhoso e, porque não, verossímil. Não há como discordar: o que é visto remete aos medos e felicidades da condição “pai”. Ah. Já ia me esquecendo. Ao sair do teatro fui à livraria e garanti o meu livro. Acredite, quem quiser ter uma perspectiva sincera do que é ser pai deve assistir e ler O Filho Eterno de Cristovão Tezza.

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OST apresenta o espetáculo Quem casa quer casa, de Martins Pena.

O mais característico dos gêneros do teatro no Brasil, a comédia de costumes, caracteriza-se pela criação de tipos e situações de época com uma sutil sátira social. Vai ser através desse gênero que a OST fará uma única apresentação do espetáculo Quem casa quer casa, de Martins Pena. O objetivo da encenação é analisar os comportamentos humanos e os costumes comuns no Brasil no século XIX. A peça trata de amores ilícitos, da violação de certas normas de conduta, sempre de forma cômica. Na trama, Fabiana é uma matriarca de família que se encontra no meio de
um conflito: arrumar casa para seus filhos que acabaram de se casar. A encenação acontece no dia 3 de abril, às 20h, no teatro do Sesc Niterói; à rua Padre Anchieta, 56. Informações: (21) 8866-0468.

Serviço

Teatro
Quem casa quer casa
De Martins Pena
Com a Oficina Social de Teatro
Direção de André Roman e José Geraldo Demezio
Dia 3 de abril, terça, às 20h.
Teatro do Sesc Niterói
Rua Padre Anchieta, 56, Centro.
R$ 20 e R$ 10
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